terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Nem tudo são flores

      Como dissemos ontem... Hoje presenciamos um julgamento de um criminoso. Foi SURREAL. A pior sensação que alguém pode sentir dentro de uma silenciosa corte que decidirá o futuro do acusado.
       E adivinhem do que o sujeito foi acusado? De estuprar uma menina de treze anos. E essa foi a segunda sessão do julgamento do segundo estupro cometido por esse cara.
       Assim que entramos no prédio ja nos mandaram calar a boca por completo. A Judy (nossa professora) disse que se alguém conversasse ali dentro, a juíza ia te olhar de um jeito que voce iria se sentir a pessoa mais humilhada do mundo, então era impossivel conversar, respirar, tossir, espirrar ou qualquer tipo de barulho.     Agora vocês conseguem imaginar a tensão que foi entrar nessa sala. E era do jeito que eu imaginei... A gente fica tipo num "camarote" em cima, no meio os advogados, na frente a juíza, o acusado tipo numa cabine no canto direito e no canto esquerdo os jurados. 
     Primeiro o acusado estava na cabine e desmentia todos os fatos... Que não era ele numa suposta gravação da festa e que a jaqueta que ele estava usando no video não era a dele (mas na verdade era, ate porque na entrevista na delegacia ele estava com ela mas so que de tanto ele lava-la na prisao, a jaqueta mudou de cor). E cada vez mais os advogados iam fazendo perguntas do tipo: mas pra que lavar tanto a jaqueta assim? que horas voce chegou em casa? e essa ultima ligaçao do seu celular? voce nao tava sem celular? Parece até coisa de novela... Mas no momento tava mais pra filme de terror. 
      Quando os jurados viam as fotos da vítima dava pra gente ver la de cima, a menina toda machucada, coitada. É horrivel só de imaginar a cena. E voce ali, frente a frente com o estuprador, com a familia da vitima e do acusado. 
     Passamos por um lugar de detectar metal, entao não pudemos tirar nenhuma foto. Entramos no "camarote" e o julgamento ja estava rolando por mais de horas. 
          O pior foi ver o acusado mentir e desmentir... todo atrapalhado. Ah, ele ate confessou que estava "pretty drunk" e entao os advogados o deixavam cada vez mais na saia justa. Me lembro perfeitamente do advogado perguntando:
      - Voce lembra das características da garota? 
E o cara:
     - Nao, nao lembro de nada. 
E o advogado ensistiu:
     - Como era o cabelo dela?
E ele disse: 
     - Era curto e bla bla bla 
     Dai passou pro outro advogado e começou mais uma penca de perguntas e quando acabou, o outro advogado levantou e falou:
      - Calma que eu tenho uma ultima pergunta... Se você estava "pretty drunk" (imitando o jeito que ele tinha dito) como você lembra as características, o corte de cabelo, e etc? 
Quando ele falou isso eu a babi e raq nos olhamos e fizemos aquela cara de: hmmmmmm, já era. Bom, depois do depoimento do acusado, entrou o "amigo" (que desmentiu varias coisas que o outro tinha dito) para depor. Dai o acusado foi pra uma parte da sala que dava pra ver perfeitamente o rosto dele... Nós estávamos sentadas bem atras da família dele e entao quando ele olhou para a família ele nos viu e nos olhou fortemente como quem se perguntava: O que essas pessoas estão fazendo no meu julgamento? 
Juro, que nunca vou esquecer o rosto desse cara, credo...
E pra piorar tudo, nós tivemos que sair da sala pra nos encontrar com o outro grupo. Ou seja: não vimos se ele foi considarado acusado ou foi solto. Ficaremos com isso na nossa cabeça para sempre... Se perguntando se ele pagara pelo o que fez...
        E é por isso que o título é: nem tudo são flores... Nem mesmo estando em LONDRES, a cidade mais linda que eu ja vi na minha vida, acontece só momentos perfeitos. Esta aqui, nas ruas, a realidade... 
         Best wishes de hoje vai pra essa menina, e pra todas que sofreram, ou sofrem por esse crime.  



Marina.

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